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Freguesias


O concelho de Vimioso, ocupa uma área de 482 Km2, é constituído por 10 freguesias e suas aldeias anexas.

O Poder Local tem envidado esforços, no sentido de criar condições condignas à população a nível de infra-estruturas básicas, espaços culturais/lazer, espaços desportivos, entre outros, sendo que esse esforço e perseverança esta patente no desenvolvimento harmonioso que todas as freguesias têm tido.

  • Argoselo...

    Presidente junta

    José Manuel Miranda

    Orago

    S. Frutuoso.

    População

    701 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura, olivicultura, vinícultura, amêndoa, cortiça, construção civil, serralharia, indústria de transformação de madeira e, noutros tempos, a extracção mineira (volfrâmio e estanho).

    Festas e romarias

    S. Bartolomeu (24 de Agosto), N. Sr.ª das Dores e St.ª Bárbara (2.º fim-de-semana de Agosto) e S. Roque (1.º fim-de-semana de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Paroquial, Capelas da Sr.ª do Bonfim, St.º Amaro, S. Sebastião e S. Bartolomeu, Solar com Capela, Ponte Manuelina, Cruzeiros, Castros da Terronha, Serro Grande e S. Bartolomeu e moinho de água

    Gastronomia

    Cozido à portuguesa, enchidos, folar da Páscoa e doçaria caseira.

    Colectividades

    Centro Cultural e Desportivo de Minas de Argoselo, Associação Recreativa de Argoselo, Centro Paroquial e Associação de Caça e Pesca.

    Outros locais de interesse público

    Planalto de S. Bartolomeu (Santuário de S. Bartolomeu).

    Feiras

    Mensal (dia 23) e Feira Anual “S. Bartolomeu” (23 de Agosto).

     

    Inicialmente denominada Ulgoselo, esta freguesia foi povoada pelo menos desde os inícios da Idade Média, a julgar pela documentação escrita. No entanto os primeiros habitantes podem ter chegado muito antes.

    A lenda aponta neste sentido, mas também alguns vestígios que poderão revelar-se pré-históricos, depois de estudos arqueológicos mais profundos. Nas ladeiras do Rio Sabor, num sítio chamado Covas do Teixo, existem dois redutos chamados pelo povo de Buraco do Fumo e Sala Assombrada, dizem que aqui viveu o homem paleolítico. Além deste facto, pouco significativo, se analisado isoladamente, foram encontrados no termo da freguesia quatro machados do período Neolitico, um fragmento de cobre e um de bronze. Todos estes vestígios encontram-se actualmente em Bragança.

    O documento mais antigo que dá a conhecer a freguesia data de 1187. Nesse documento, os monges de Castro de Avelãs dão ao Rei a sua herdade de Benquerença, local onde se situa, actualmente, Bragança. Em troca, a Coroa dava aos referidos monges a Igreja de S. Mamede, hoje aldeia extinta, e as suas vilas de Santulhão, Pinelo e Argoselo, na época Ulgosello. Cem anos depois, ainda os frades de Castro de Avelãs e o arcebispado de Braga andavam às voltas sobre a real posse daqueles territórios.

    Um despacho de D. Dinis datado, de 1319, sanava o conflito e determinava os verdadeiros direitos sobre a posse da actual freguesia.
    Em 1290, D. Dinis dava carta de foro à freguesia, que a partir daí ganhava uma independência relativa.

    A nível populacional, o crescimento maior deu-se, no entanto, a partir do século XVI. Com expulsão dos Judeus de Espanha, e porque Argoselo se encontrava perto da fronteira, centenas de gente daquela raça acorreu à freguesia, aumentando em muito o seu número de habitantes. O certo é que, hoje, o traçado da povoação apresenta características nitidamente judaicas, com ruas muito estreitas e becos sem saída. Este facto comprova bem a sua importância no desenvolvimento da terra.

    A partir de 1317, Argoselo fora integrada no concelho de Miranda do Douro.

    Passou para o de Outeiro em 1530, mas com a extinção deste, em 1853, integrou de forma definitiva o de Vimioso.

    A primeira Igreja Paroquial de Argoselo, construída por volta do século XII ou XIII, era muito pequena. Para substituir, foi erguida uma outra, e denominada a primeira, mais ampla e num lugar central da freguesia, que desde a Idade Média crescera muito. O projecto da sua construção tomou forma a partir de uma Visitação de 1706, depois de várias que já tinham sido feitas antes e que tinham tido como resultado único a continuação da deterioração do templo.

    O Cónego Gaspar da Rocha, que visitou a Igreja naquele ano, tomou em consideração as vontades da população, que praticamente exigia um local para a celebração dos seus cultos. Referiu no relatório que enviou para o cabido: “Consta-me que a maior parte dos fregueses deste povo, considerando o mau sítio em que está a Igreja Matriz e desacomodo geral para todos principalmente no tempo de Inverno por estar quase fora do mesmo lugar, donde poucas vezes se ouvem os sinos e ser tão pequena que apenas coube a terça parte da gente do mesmo povo dentro dela querem mudá-la para parte onde seja mais conveniente para todos”.

    Iniciadas em 1728, terminaram as obras em 1732. É uma igreja de cunho popular. É de uma só nave, dividida em três tramos por dois arcos diafragma em forma de meio ponto. Separa a capela-mor da nave da igreja um arco triunfal de nítido sabor neoclássicopopular. Com as mesmas características, pode ver-se sobre o supedâneo do altar-mor um retábulo em bonita talha dourada.

    Quanto ao exterior da igreja, tem uma bela escadaria que dá acesso ao campanário. Este apresenta-se bem separado da parte inferior da frontaria, que tem o portão principal com um dintel composto. Todo o conjunto está enquadrado por fortes pilastras. Uma igreja muito digna, em conclusão, que serve com orgulho as populações de Argoselo, que demonstram a sua religiosidade através de quadras como aquela que aqui apresentamos: “Adeus lugar de Argoselo, ao longe pareces vila, S. Sebastião à entrada, Santo Amaro à saída”.

    Além da igreja paroquial, outros templos merecem referência, quer pela sua importância no culto da população, quer pela sua beleza artística. É um exemplo, a setecentista Capela de Santa Cruz, com um belo retábulo de talha barroca. A antiga Capela de S. Bartolomeu tinha, também, um retábulo que se encontra actualmente na ermida que lhe sucedeu.

    Em relação à evolução económica da população ao longo do século XX, refere a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” relativamente à situação por volta de 1940: “... é uma das mais importantes freguesias do concelho, pela sua indústria e comércio e pela excelência das suas terras”. Actualmente, pode dizer-se que a agricultura continua em lugar de destaque, com produtos como o trigo, o centeio, o azeite e o vinho, mas a indústria apresenta-se já muito diversificada, como a construção civil, serralharia civil e os lagares de azeite. Houve extracção mineira até 1986, mas as minas de volfrâmio e de estanho estão actualmente desactualizadas.

  • Carção...

    Presidente da junta

    António dos Santos João Vaz

    Orago

    N. Sr.ª das Graças

    População

    419 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, construção civil, oficinas auto e pequeno comércio.

    Festas e romarias

    N. Sr.ª das Graças (último Domingo de Agosto) e S. Roque (15 e 16 de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Paroquial, Capelas de St.ª Marinha, de St.º Estevão, de S. Roque e de St.ª Bárbara, Castro, Castelo e Poço dos Mouros, Pedra Lavrada, Caverna com Capelinha, Caminho Romano e Cruzeiros.

    Gastronomia

    Fumeiro, folar da Páscoa, posta mirandesa, rosquilhas e doçaria caseira.

    Colectividades

    Grupo Desportivo de Carção, Associação de Caça e Pesca, Associação dos Amigos e Melhoramentos de Carção, Associação Cultural Almocreves de Carção.

    Outros locais de interesse turístico

    Rio Maçãs, Zona de Pesca (barbo, boga e truta) e Caça (montarias ao javali).

    Artesanato

    Tecelagem.

     

    Citada desde os primeiros tempos da Nacionalidade, Carção encontra-se a cerca de 12 Kms da sede do concelho. Segundo as inscrições de 1258, a freguesia fora dada durante o reinado de D. Sancho I a D. Facundo, fidalgo de Leão. A Ordem do Hospital também tinha alguns bens.

    A primeira referência escrita à freguesia data de 1187. Os monges do Convento de Castro de Avelãs doaram à Coroa a sua herdade de Benquerença, no local que é actualmente Bragança. Em troca, recebiam, entre outras, a povoação de Carção.

    Por volta de 23 de Fevereiro de 1418, D. João I concedia ao “Castello douteiro de Miranda” as aldeias de Pinelo, Algoso, Santulhão e ainda a de “Garçam”, que era a de Carção. Foi um curato de apresentação do cabido de Miranda e tinha rendimento anual de 6000 réis de côngrua e o pé de altar. Pertenceu ao concelho de Outeiro até 1853, e por extinção deste passou para o de Vimioso.

    carção foi referido por Camilo Castelo Branco no seu romance mais conhecido “Amor de perdição”. Daqui era natural o recoveiro, o típico Bento Machado, cuja morte foi vingada pelo seu filho.

    Refere Sat’Anna Dionísio, no “Ares de Trás-os-Montes”, em relação à posição geográfica de Carção: “Logo após a aldeia de Pindo, avista-se a meia distância, do lado do poente, a populosa povoação de Carção, berço do infortunado estadista António Granjo (morreu em 1921) situada em uma ampla plataforma, do lado de lá, delimitada pelo Vale do sabor, do lado de cá, pela corroída cortadura do Rio Maçãs.

    Os olhos passeiam à vontade em todos os sentidos, desde as ribas dominadoras do cañon fronteiriço do Douro Mirandês até aos cumes, usualmente alvos de neve, das serras leonesas. Ao cabo dum troço de recta, encontramo-nos numa encruzilhada. A estrada que segue em frente dirige-se para Miranda; a que diverge para a direita conduz-nos, com brevidade,a Vimioso”.

    Um dos mais bonitos recantos da freguesia é aquele que se pode contemplar da ponte sobre o Rio Maçãs (construída em 1959). Forma engenhosa de ultrapassar o rio, em tempos difíceis da luta do homem contra a natureza, oferece um amplo panorama, não só natural. É que, além das paisagens e da própria ponte, encontram-se bem perto uma curiosa caverna, cuja datação não se conhece, embora os seus objectivos, protecção contra o frio, defesa das neves e geadas que, no Inverno, caem com abundância, sejam mais ou menos óbvios. Na caverna que, com o decorrer dos tempos, deixou de ter a mesma função, existe uma pequena capelinha, local de culto para as religiosas populações locais. De referir, ainda, outra ponte, velha de estilo romano, que servia o caminho de ligação com as aldeias da parte sul do concelho, visitada em 1814 pela Câmara de Vimioso, já que se encontrava praticamente em ruínas. A um tal de José Fernandes, do lugar de Coelhoso, e João Fernandes, da vila, foi dada a empreitada da obra tendente a restaurar a sua estrutura.

    O destaque maior vai, no entanto, para a Igreja Paroquial. Substitui uma outra que aqui existiu, durante a Idade Média e que era de concepção românica. O actual templo, produto de muitas reconstruções e alterações ao longo dos séculos, foi terminado da forma como o conhecemos por volta de 1820, numa época em que era proprietária da igreja a Mesa de Consciência e Ordens, já não o Cabido.

    É uma igreja de planta rectangular, muito simples, com um agradável prospecto exterior. A capela-mor apresenta um retábulo rocaille em talha. Separa a nave da capela-mor, um arco triunfal de volta inteira. Do lado do Evangelho, pode ver-se um retábulo muito interessante das Almas do Purgatório. Do lado da Epístola, dois outros retábulos mas de menor valor, embora mereça destaque a sua construção tipicamente popular.

    Ainda uma referência à Capela de St.º Estevão, fundada em 1661 pelos moradores de Carção.

    Foi importante na freguesia, em tempos, a indústria dos cortumes. A destilaria de vinho, que chegou a contar com duas grandes fábricas, também teve grande importância no século XX. Recuando mais ainda no tempo, socorremo-nos das informações produzidas pelo Pe. Luis Cardoso para avaliarmos a importância que a caça chegou a ter no contexto económico da freguesia: “é áspero (seu termo), e, por isso, falta de todo o género de frutas, e ainda pão e vinho produz em muito pouca quantidade, cria muita caça de perdizes, lebres e coelhos, por ser tudo serrania, povoada de grandes matas e arvoredos.

    Carção é constituído por um povo trabalhador, de vida árdua e difícil. Prova disso mesmo é a emigração que afectou a freguesia de forma marcante em meados do século passado. As terras eram posse de alguns abastados e quem as trabalhava eram dezenas de jornaleiros que labutavam de sol a sol para sustentarem as famílias.

  • Matela…

    Presidente da junta

    Hélder Domingos Ramos Pais

    Contato:

    Orago

    N. Sr.ª da Purificação.

    População

    228 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, construção civil, serralharias e comércio.

    Festas e romarias

    St.º Antão (3.º Domingo de Agosto) e N. Sr.ª do Bom Despanho (1.º Domingo de Julho).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capelas de N. Sr.ª do Bom Despacho e de St.º Antão, Cruz Simples, Ponte Românica, Fraga do Castelo, Picão de Pena de Águia e Fonte.

    Gastronomia

    Fumeiro, posta mirandesa, frango caseiro no churrasco, folar, bolos de Páscoa, rosca e ramo (composto de rosquilhos).

    Colectividades

    Centro Cultural e Desportivo de Matela e Associativa de Caça.

    Outros locais de interesse turístico

    Fraga do Castelo, Picão de Pena de Águia, Zona de Caça (perdiz, coelho, lebre e javali) e pesca nos rios Sabor e Maçãs (barbo, boga e escalo).

    Artesanato

    Rendas e bordados, toalhas de linho e cobertas (colchas).

    Aldeias anexas

    Avinhó e Junqueira.

     

    Matela é uma das freguesias de Vimioso, já nas fronteiras com Macedo de Cavaleiros, situada a oeste. O Tombo dos Bens de Algoso, um manuscrito à guarda do Museu de Bragança, descreve rigorosamente os limites desta freguesia, esteve muito tempo anexa à reitoria da paróquia da vila de Algoso e era de apresentação do reitor de Algoso e, só mais recentemente, passou a vigairaria. De certa forma, pertencia ao termo de Algoso e, por via disso, era também pertença da Coroa Real.

    Como parte que ra do termo de Algoso, Matela beneficiou do foral dado àquela vila por D. Manuel em 1510. Os foros que por então pagava, iam para a Ordem de Malta que tinha na Igreja de S. Sebastião de Algoso, a cabeça de uma comenda, concedida por D. Sancho II em 1226.

    Esta integração, no pequeno e histórico concelho de Algoso, fazia com que os habitantes de Matela tivessem de recorrer aí, para todos os assuntos políticos administrativos e judiciais de primeira instância.

    Era em Algoso que se repartiam as sisas a pagar, aí se aferiam as medidas a utilizar, aí se elaboravam as posturas regulamentares da vida da aldeia. Como isso era incómodo, criou-se aqui um Juiz Vintaneiro, assim chamado porque, por regra, superintendia uma pequena comunidade camponesa não superior a vinte casais.

    Na sua origem, comunidades pequenas de camponeses, como esta de Matela, e outras desta região, estão relacionadas com os acontecimentos e com a situação de repovoamento, durante a segunda metade do século XII e principalmente durante o século XIII. A região era abundante em fortificações castrejas, cujos vestígios aparecem em vários pontos do concelho de Vimioso. Por exemplo, em Algoso, um notável Castelo Medieval foi construído nos finais do século XII, precisamente sobre um antigo castro, talvez no tempo da romanização. Os topónimos Castro e Castelinho ainda, hoje, nos recordam esses vistosos altos e naturalmente defensáveis, onde os nossos antepassados tinham a sua vida organizada à base da pequena agricultura, da pastorícia e da caça. Em Matela, o topónimo Fraga do Castelo, parece significativo, tal como a da povoações de Pena de Águia merecia ser divulgado. São, ainda, hoje locais de excelente visibilidade, onde vale a pena ir, quanto mais não seja pelas belas panorâmicas que daí se desfrutam.

    Sabe-se que aos romanos, este “habitat” não interessava, isso sim, que as populações descessem a cultivar de forma intensa as terras baixas e planas onde organizavam as “villas” rústicas e para onde atraíam as populações. Nos tempos anteriores à formação de Portugal como nação estas terras sofreram graves perturbações decorrentes das constantes razias feitas pelas hostes mouriscas e cristãs. É provável que muitas destas pequenas comunidades de aldeia tivessem desaparecido ou sido abandonadas, sobretudo as que, como Matela, se ocuparam de terras planas e férteis onde tinham a sua agricultura, mas que estavam expostas a toda a espécie de rapinas, viessem elas donde viessem. É frequente aqui e por toda a região, contarem-se “estórias” de esconderijos cristãos, à mistura com penhascos e castros dos mouros. Devido a este abandono, perdeu-se, por toda a região, a preciosa memória toponímica luso-romana e germânica que poderia documentar o povoamento durante a Alta Idade Média.

    Sabe-se que uma das principais preocupações dos nossos primeiros reis foi a de fazer regressar “populatores” (povoadores) a estas terras. Curiosamente, as circunstâncias poíticas da altura permitiam que este repovoamento fosse feito por entidades leonesas, fidalgos e mosteiros, o que não deixa de ser ou parecer uma prova de como também a história, escreve direito pelas linhas tortas. É que, em tempos pré-romanos, habitaram esta região os povos Zelae e durante a romanização, toda a região esteve muito mais ligada a Astorga que é a parte mais ocidental da Península. Um resultado dessa permanência da aculturação inicial, pode ver-se, ainda, na forma de falar das gentes daqui, senão mesmo na língua mirandesa que alguns pensam ter resultado deste repovoamento que resultou, por tal modo, positivo ao enquadrar-se na memória antropológica e cultural da região que marcou realmente a diferença cultural. Os seus poucos mais de 300 habitantes continuam a viver da agricultura, do vinho, do trigo, do centeio, da aveia e o azeite que cultivam com mãos de mestre.

    Uma vida rural comunitária, ao ritmo do calendário agrícola, que as festas e romarias pontuam ao longo do ano, principalmente o Verão, quando o calor dá maior força para amadurecer o que a mãe natureza cria e há tempo para esperar pelos resultados das colheitas. Embora a padroeira seja a N. Sr.ª da Purificação ou das candeias, por Fevereiro, o tempo de folgar só aparece com a romaria da Sr.ª dos Bom Despacho no 1.º Domingo de Julho ou pelo St.º Antão (3.º Domingo de Agosto).

  • Pinelo…

    Presidente da junta

    Natalina Neves Pires

    Orago

    St.ª Eulália.

    População

    222 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, olivicultura, moagem, serração de madeiras e comércio.

    Festas e romarias

    St.ª Bárbara, St.ª Eulália e S. Jerónimo (penúltimo Domingo de Agosto), S. Sebastião e S. Fabião (20 de Janeiro), N. Sr.ª de ao Pé da Cruz e N. Sr.ª de Fátima (2.ª semana de Agosto)

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capelas de St.ª Bárbara, de S. Jerónimo, de S. Sebastião e de S. Fabião, Cruzeiro, Fontes, Castro do Picoto, Ponte Romana, Fonte de Mergulho, Castelo do mau Vizinho e Moinhos de Água.

    Gastronomia

    Posta de vitela assada na brasa, fumeiro, cabrito e cordeiro assados no forno, folar de Páscoa, rosquilhos e pão-de-ló.

    Colectividades

    Lar/centro Social e Paroquial de St.ª Eulália, Associação de Caçadores de Pinelo e Centro Cultural e Recreativo de Pinelo.

    Outros locais de interesse turístico

    Cabeço do Facho ou Pedra Lumieira e Zona de Caça (coelho, lebre e javali).

    Artesanato

    Tecelagem cestaria, ferraria, calçado e alfaiataria.

    Aldeia anexas

    Vale de Pena.

     

    A 8 Kms da sede de concelho, a freguesia de Pinelo situa-se a noroeste da vila de Vimioso, na margem esquerda do Rio Maçãs. É uma das mais antigas freguesias deste concelho. Além dos numerosos achados arqueológicos, comprova esta afirmação o facto de ter sido elevada a vila ainda durante o reinado de D. Afonso Henriques.

    O primeiro documento referente à freguesia e, que nos dá algumas informações sobre os seus primeiros tempos, data de 1187. É a mesma carta de doação que já referimos noutras freguesias, num contrato estabelecido entre a Coroa que dava esta povoação de Pinelo e muitas outras deste concelho, em troca de uma herdade do mosteiro de Castro de Avelãs em Benquerença - Bragança. Além daquele convento, possuía aqui bens, também, os cónegos da Sé de Miranda do Douro.

    Segundo o Abade de Baçal, o topónimo provém do nome próprio Pigniolus, ou então poderá ser um diminutivo de pico, cume, monte, outeiro em que se afundam os castelos e praças defensivas. Este facto remete-se para os tempos pré-históricos de Pinelo e para a possível existência de um castro lusitano romanizado ou não em data posterior.

    Com efeito, no sítio de Lagoaço, foi descoberta em Abril de 1935 uma lápide funerária, em granito, de forma cilíndrica e com uma inscrição incompleta. Consegue ler-se, apesar de lhe faltar a lápide superior, que “AMOR/XXII/HSE”. Ou seja, um tal homem, de apelido Amor, morreu aos 22 anos e está ali sepultado.

    No mesmo local, surgiram alguns objectos de uso quotidiano, como um cadeado de cozinha, usualmente conhecido como lares, dois pondus de barro, uma moeda em cobre e diversos fragmentos cerâmicos avulsos.

    Nas Inquirições de 1258, ordenadas por D. Afonso III, aparece a forma Pinello. Através do conteúdo do documento, podemos ver que, a povoação e a igreja de St.ª Eulália pertenciam ao rei D. Afonso Henriques, D. Sancho I doou-as, posteriormente, ao mosteiro de Castro de Avelãs, antes da troca anteriormente referida.

    Recebeu carta de foral em 4 de Julho de 1288, concedida por D. Dinis em Leça do Balio. Uma das obrigações da vila que, já o era no tempo do primeiro monarca português, era a de cada um dos seus moradores pagar o foro um imposto de vinte soldos.

    Pinelo foi um curato de apresentação do cabido da Sé de Bragança. O curo tinha de rendimento anual apenas 6000 réis de côngrua mais o pé de altar. Passou a freguesia independente com o título de reitoria.

    A igreja paroquial, dedicada a St.ª Eulália, é o mais interessante monumento de Pinelo. Situada em lugar elevado da freguesia, preside altaneira e orgulhosa aos destinos da sua população. Em volta, o adro, tinha, segundo os construtores do templo, como objectivo impedir que o edifício fosse profanado por “animais imundos”. Muito espaçosa, é de uma só nave, dividida por dois arcos em diafragma. A capela-mor é toda em granito, separada da nave por um arco triunfal assente sobre um pedestral. Exteriormente, é muito harmoniosa e homogénea, conferindo-lhe uma agradável perspectiva a torre sineira e um campanário.

    O retábulo, conhecido como o Divino Senhor, mas que está consagrado actualmente, ao sagrado Coração de Jesus, é de talha nacional do Segundo Período.

    Tem a forma de um pórtico românico, onde as colunas se dispõem em forma de rentrante. A sua construção deve ser posterior à primeira metade do século XVIII, sendo o seu autor, pelas suas características, o mesmo do retábulo da igreja matriz de Argoselo. Muito interessante é, também, o retábulo das Almas do Purgatório. Em talha barroca, representa o Céu, o Inferno e o Purgatório.

    Nas “Memórias Paroquiais” de 1758, o pároco local, o cura José Afonso, transmite as seguintes informações em relação ao interior do templo: “Tem três altares: o altar mor, com a padroeira St.ª Eulália; o segundo dedicado à Sr.ª da Expectação e o terceiro à Sr.ª do Rosário, como sede da confraria”.

    Na capela dos Santos Mártires, S. Sebastião e S. Fabião, merece destaque o retábulo do altar-mor de estrutura maneirista, é decorado em talha nacional.

    É formado por um banco ornamentado com cartelas de folhagem estabilizada e um painel de acanto no centro do banco. Foi construído nos inícios do século XVIII.

    Na capela de S. Jerónimo e St.ª Bárbara, volta a destacar-se o retábulo do altar-mor. Muito simples, é constituído por duas colunas pseudosalomónicas. A ornamentação é semelhante a outros retábulos, uvas, parras e meninos em grande movimentação. A coroar o retábulo, uma tarja em forma de coroa de acanto.

    Curiosas em Pinelo, são algumas tradições ligadas ao casamento. Segundo o povo, os tremoços bem curados faziam um casal feliz. Numa prática que, aqui há alguns anos, ainda era realizada em todas as cerimónias de matrimónio. Colocavam-se tremoços antes de se iniciar a refeição e dizia-se: “Ide-vos dar bem, ou ide-vos dar mal”, conforme estivessem bem ou mal curados. Dessa frase dependia o destino dos jovens noivos.

  • Santulhão...

    Presidente da junta

    Manuel Pascoal Lopes Padrão

    Orago

    S. Julião

    População

    423 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, olivicultura, construção civil, hotelaria e comércio.

    Festas e Romarias

    S. Lázaro (1.ª semana de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capelas, Pelourinho, Ponte e Fontes Romanas, Casa Tradicional e Casa com Brasão.

    Gastronomia

    Enchidos, posta mirandesa, cordeiro assado, doçaria caseira, azeite e azeitona Santulhana.

    Colectividades

    Santa Casa da Misericórdia de Santulhão, Grupo Recreativo e Desportivo, Associação de Melhoramentos Santulhana e Associação de Caça e Pesca.

    Outros locais de interesse turístico

    Rios, Castro de Abrunheira, extinta aldeia de S. Mamede e zonas de pesca e de caça.

    Artesanato

    Trabalhos em madeira, rendas e bordados, linho e lã, latoaria.

     

    A 17 Kms da sede de concelho, a freguesia de Santulhão encontra-se a noroeste da vila de Vimioso. O seu antigo povoamento pode ser atestado através do Castro da Abrunheira. Situada em local elevado, de acordo com as condições habituais dos povos castrejos, permitia a defesa das populações que a habitavam e a sua sobrevivência, já que perto, passavam diversos cursos de água.

    Refere o Prof. Serafim dos Santos Alves do Rosário, em jeito de malancólica poesia, em relação ao grande penedo que marca hoje a presença do antigo reduto castrejo: “ A sua história perde-se no tempo e na lenda. Nas manhãs de S. João dizem que lá aparece a moura encantada penteando-se com os seus pentes de ouro. Isto é a lenda, e a história verdadeira. Pois amigos, o Penedo da Abrunheira é um castro com vestígios ainda bem reconhecidos e, como tal, deverá ser preservado e não abandonado. É um monumento para estimar”.

    Quanto ao nome da freguesia, deriva de S. Julião. No primeiro documento sobre a freguesia, em finais do século XII, aparece já “Villam Sancti Juliani”, ou seja, Aldeia de S. Julião. Com a evolução temporal e linguística, o topónimo degenerou para Santulam, Santillaao, Santulham e finalmente Santulhão.

    O povoamento de Santulhão, depois das algariadas mouriscas do século VIII, iniciou-se em meados do século XIII, pelos frades de Castro Avelãs. Em termos de documentação escrita, 1187 é a data da primeira referência à freguesia que, nessa data, passava para as mãos daquele mosteiro, em troca de uma herdade que a coroa desejava deter em Bragança. Entre outros assuntos, o documento demarca o termo de Santulhão: “e em Carzom pelo Seixo e dy á horreta Fremosa... e da outra parte peloTeixugueira, e dy ao marco de Val de Fontes e dy ao marco do Lombo do Abroteal e dy á Pena Curva de Veigas de Martim e dy ao casal de Avolineira”.

    Santulhão voltaria para o rei no tempo de D. Dinis, que lhe doou foral em 4 de Julho de 1288, e visitou a freguesia em 9 de Dezembro de 1289. Em 23 de Fevereiro de 1418, D. João I apontava as terras e paróquias que constituíram o termo do “Castello douteiro demiranda”.

    Até 1853, Santulhão pertenceu ao concelho de Outeiro. Com a extinção deste, na sequência de uma grande reorganização administrativa do país, passou para Vimioso, tal como outras freguesias deste concelho.

    Num fenómeno que se tem vindo a generalizar no interior português, a evolução demográfica da freguesia tem sido negativa. Sobretudo a partir de metade do século XX, a população começou a decrescer, numa tendência relacionada com a forte emigração que se verificou em todo o país durante esse período. Assim, se até 1940 o número de habitantes de Santulhão aumentou, atingindo 1204 pessoas, a partir daí não cessou de descer. Em 1980 eram apenas 873 habitantes e no último recenseamento geral da população, realizado em 2001 eram 508. A tendência continua a ser, pois, para decréscimo.

    No “Guia de Portugal” da Fundação Calouste Gulbenkian, encontramos uma interessante referência a Santulhão: “A mesma estrada que serve Argoselo, prossegue para sudoeste, dando acessos carroçáveis às populações antigas e rivais de Carção e Santulhão, esta última fronteira da povoação de Izeda, situada além Sabor”.

    Sobre o Rio Sabor, ainda nos meados do século XVIII, existia, entre ambas, uma longa ponte, de construção atribuída aos romanos, de cinco arcos: quatro medianos e o do meio bastante grande”.

    Em relação ao património edificado de Santulhão, começamos exactamente pela ponte que divide Santulhão, e Izeda e que José Augusto Sant’Anna Dionisio refere na sua viagem por terras transmontanas.

    Citada já nas “Memórias Paroquiais” de 1758 e, referida messa altura como muito antiga, sofreu uma reconstrução na primeira metade do século XX, depois de uma enorme cheia a ter praticamente derruído em 1860.

    Temos, também, a igreja paroquial como referência incontornável. Muito grande, de abóbada em berço, merece destaque no seu interior, a talha bem conservada e dois quadros com pinturas sagradas, anónimos mas de excelente qualidade, que se encontram na capela-mor. Pouco resta das suas características iniciais, já que uma reconstrução de 1862, numa data em que o templo ameaçava ruína, alterou completamente a sua traça. Apenas a capela-mor e a sacristia são as mesmas de sempre. Voltou a sofrer obras de conservação em 1970.

    A Santa Casa da Misericórdia, com a sua capela é, bem podemos dizê-lo, o orgulho das gentes de Santulhão. Poucas são as aldeias que se podem gabar de ter uma Misericórdia. Santulhão é uma delas, facto que demonstra a sua importância de outrora nesta região interior do país.

    Embora não se saiba com exactidão a data da sua constituição, sabe-se que já existia em 1758, de acordo com as “Memórias Paroquiais” de 1758, em que o pároco local menciona a confraria da Misericórdia. A capela ostenta, na sua frontaria, a data de 1623, data essa que poderá muito bem ser aquela em que o templo foi construído e, em consequência, a própria Misericórdia surgiu.

  • UF Algoso, Campo de Víboras e Uva

    Presidente da junta

    Luís Manuel Tomé Fernandes

    Algoso...

    Orago

    S. Sebastião

    População

    281 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, olivicultura, vinicultura, amêndoa, cortiça, construção civil, serralharias e pequeno comércio.

    Feiras

    Mensal (9 de cada mês) e Feira Anual “S. Lourenço (9 de Agosto).

    Festas e romarias

    St.º António (13 de Junho), S. João (24 de Junho), N. Sr.ª da Assunção (15 de Agosto) e S. Roque (16 de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Castelo de Algoso, Pelourinho, Capela da Misericórdia, Capela de S. Roque, Capela de S. João Baptista e de N. Sr.ª da Assunção, Estrada Romana, Ponte Romana, Fonte Santa, antigos Paços do Concelho e Ruínas do Convento.

    Gastronomia

    Posta mirandesa, cordeiro assado, cabrito assado e em caldeirada, rosquilhos de S. João, bolo de Páscoa, bolo centeio, dormidos, folar e fumeiro.

    Artesanato

    Carpintaria, rendas e bordados.

    Colectividades

    Centro Cultural e Desportivo de Algoso.

    Aldeia anexa

    Vale de Algoso (Turismo Rural).

     

    A antiga vila transmontana de Algoso foi sede de concelho até 1855, ano em que foi extinto e incorporado no município de Vimioso. No extremo sul da povoação, ergueu-se o castelo, obra de Mendo Rufino nos finais do século XII, possivelmente ainda no reinado de D. Afonso Henriques , embora alguns autores se inclinem mais para a sua construção, pelo mesmo Mendo Rufino , mas já no tempo de D. Sancho I, a quem de resto patrocinador do reduto o ofereceu, recebendo a título de recompensa o Senhorio de Vimioso.

    O castelo surge no alto do Monte da Penênciada, um cabeço penhascoso que se despenha quese a pique, a mais de 600 metros, sobre o Rio Angueira, que, por sua vez, vai confluir a Oeste com o Rio Maçãs.

    Quem segue pela estrada de Mogadouro para Vimioso, não pode deixar de se impressionar quando, a meio caminho entre as duas localidades, avista este castelo.

    Irresistível, se torna, pois, a subida a algoso, nos tempos medievais chamada Ulgoso e Ylgoso, de onde se disfruta uma vista deslumbrante.

    Deslumbrante é, também, o castelo, de reduzidas dimensões, que fez parte de uma linha defensiva de antiquíssimos tempos com mais três fortificações: a de Milhão, Santulhão, destruídas talvez pelos leoneses ainda durante os primeiros reinados portugueses, e a de Outeiro, hoje, praticamente em completa ruína.

    O Castelo de Algoso, construído à base de xisto quártzico e granito, é de planta rectangular, com antrada pelo lado Norte por porta em arco pleno, defendida pelo que resta de um cubelo, já sem merlões. Surge então a pequena praça de armas.

    Onde aparecem, tal como no exterior, panos de muralha em paralelo com a penedia, que em muitos pontos funciona como alicerce da cerca.

    A torre de menagem aparenta sinais de três registos. Os dois dois primeiros destinavam-se à zona habitacional e o último à defesa.

    Ainda na Época Medieval, o Castelo de Algoso foi cedido, por D. Sancho II à Ordem do Hospital (depois Ordem de Malta), em 1226, e nele residiu o representante real das Terras de Miranda e de Penas Roias, ambas aindaacasteladas nos tempos de hoje, se bem que, nesta última localidade, muito pouco resta da fortificação aí erguida.

    Já no século XVIII, mais concretamente em 1710, por alturas da invasão espanhola motivada pela Guerra dos Sete Anos, Algoso sofreu saques, tal como outras terras desta região. O principal alvo dos espanhois foi Miranda do Douro, cuja fortaleza quase se viu reduzida a escombros, na sequência de enorme explosão no paiol, mas as localiaddes da zona de Vimioso também não escaparam à fúria da nação vizinha. Algoso, no entanto, consuguiu resistir aos ataques e evitou a ocupação, apesar da sua guarnição, comandada por alferes, ser pouco numerosa.

    Aquando das invasões francesas, ficou célebre o nome de juiz de fora de Algoso, Jacinto de Oliveira Castelo Branco. Este magistrado, além de não acatar, em 1808, as ordens de Junot, continuava a usar nos processos o nome da Sua Alteza Real, apesar de D. João VI já ter embarcado com a família para o Brasil e os franceses terem declarado abolida a Dinastia de Bragança.

    Campo de Víboras...

    Orago

    Nossa Senhora dos Aflitos

    População

    155 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, construção civil e pequeno comércio.

    Festas e romarias

    St.ª Bárbara e S. Tiago (último fim-de-semana de Agosto) e Sr. dos Aflitos (3 de Maio).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capela do Sr. dos Aflitos, de St.ª Bárbara e de S. Tiago, Cruzeiro, Marco Geodésico, Fonte e Cruz de N. Sr. dos Aflitos (15 metros de altura).

    Gastronomia

    Borrego assado, posta mirandesa, pudim e pão-de-ló.

    Colectividades

    Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Campo de Víboras.

    Outros locais de interesse turístico

    Os mencionados em Património Cultural e Castelo da Serra, Ribeira de Angueira e
    Rio Maçãs (pesca: barbo, boga e escalo) e Zona de Caça (perdiz, coelho, lebre e javali).

    Artesanato

    Rendas e bordados.

     

    A 7 Kms de Vimioso, a freguesia de Campo de Víboras encontra-se numa zona baixa, entre dois cumes montanhosos.

    Sobre o topónimo que dá o nome à freguesia, assaz curioso, refere o Abade de Baçal nas suas Notas Monográficas sobre o concelho: “ A villa (aldeia) de Viberes, como se encontra nas Inquirições, procede de viperas por virtude do abrandamento do p em b e da passagem para o do e átomo por influência da labial b. Por haver, no sítio, abundância de víboras é que deve ter passado a chamar-se Campo de Víboras. E já assim se chamava antes de 1530”.

    A arqueologia demonstra que o povoamento desta freguesia se iniciou em épocas muito recuadas da história do homem. Demonstram-no os diversos achados que, ao longo dos anos, têm sido registados por aqui. A própria toponímia é também elucidativa: Boca Ranha, Orreta Pereiro e Porto de Santulhão têm sentido topográfico. Se o primeiro nome é de orígem obscura, e o segundo tem óbvia explicação, já o terceiro significa passagem por baixo de cumeadas ou cursos de água.

    Pela realidade política dos tempos pós-fundação da Nacionalidade, podemos traçar com relativa clareza o quadro do repovoamento do território de Campo de Víboras, levado a cabo depois das razias e consequente desertificação provocada pelos ataques dos povos muçulmanos em inícios do século XIII.

    Com a invasão muçulmana, como referiu de forma muito feliz Eduardo Freitas, apenas nas Astúrias “ficou a tremular, mas ainda assim receoso, o pendão cristão”.

    Desde muito cedo, a recuperação territorial foi acontecendo. Esse controle foi conseguido através da nomeação de nobres para cada uma das jurisdições, com o objectivo de defender e, se possível, alargar esse território. A fixação dos Nobres e suas famílias nessas terras, como aconteceu, afinal, em Campo de Víboras, veio estabilizar a autoridade local e esteve na orígem dos condados como entidades políticas.

    Existem poucas informações sobre os primeiros tempos da história desta freguesia pós-fundação da Nacionalidade. Nas Inquisições de 1296, de D. Afonso III, há uma referência a Bíberes, povoação que teria sido dada em comenda a D. Pedro Pôncio de Leão um dos tais nobres de que atrás falamos. Coloca-se a hípotese de este Bíberes ser realmente esta freguesia.

    Não se conhece a data paroquial exacta de Campo de Víboras, que deverá ter ocorrido depois do fim da Idade Média.

    Não estando integrada nas paróquias da Terra de Miranda do século XIII, crê-se, no entanto, que aqui terá sido construído uma pequena ermida na época do seu povoamento, cerca de 1240. Dedicada a St.ª Maria, não tinha porém independência pois estava agregada a outra igreja maior.

    A freguesia foi um curato de apresentação do reitor de Vimioso, mas passou, pouco tempo depois, a abadia. Em termos administrativos, começou por ser um simples lugar do julgado de Algoso, na época da fundação da nacionalidade, mas rapidamente passou a pertencer ao termo de Vimioso.
    Segundo a “Carographia” do Pe. Cardoso, “ Campo de Víboras foi saqueado e queimado pelo inimigo no tempo das guerras”.

    Campo de Víboras foi um curato de apresentação do reitor de Vimioso. Tinha de rendimento anual 8500 réis em dinheiro e o pé de altar.

    Do património edificado na freguesia, destacam-se as construções de carácter religioso. É o caso da Igreja Matriz. De agradável prospecto exterior, é um dos orgulhos da população e um bom cartão de visita de Campo de Víboras. É o caso, também, das três capelas existentes, dedicadas a S. Tiago, ao Sr. dos Aflitos, a St.ª Bárbara, e à imponente e magestosa Cruz do N. Sr. dos Aflitos que se eleva a uma altura de cerca de 15 metros.

    A população de Campo de Víboras é gente de muito trabalho, dinâmica e empreendedora. Com o seu apoio, a aldeia tem-se desenvolvido nos últimos anos e têm surgido infraestruturas de grande alcance social em que muito vem melhorar a capacidade de resposta da freguesia para os problemas do dia-a-dia. O campo de futebol, exemplar, e o palco de espectáculos, um dos melhores de todo o concelho, são dois bons exemplos do que acabamos de afirmar.

    Actualmente, vivem na freguesia de N. Sr. dos Aflitos de Campo de Víboras cerca de uma centena e meia de pessoas. A agricultura é, como sempre foi, a principal base do seu sustento. Os cereais merecem, aqui, a maior atenção dos pequenos lavradores da freguesia: trigo, centeio, cevada, aveia, assim como a batata e o vinho são os mais cultivados. A criação de gado é também importante, pelos recursos alimentares, leite e carne, que fornece os habitantes da povoação, já que se trata de actividade, sobretudo de subsistência. O gado bovino e ovino são os mais abundantes por aqui. Alguma construção civil e pequeno comércio (o grande comércio está relacionado com a migração, sobretudo o comércio de rendas, bordados e ourivesaria) completam de forma rápida o quadro económico de Campo de Víboras.

    Uva...

    Orago

    St.ª Marinha.

    População

    131 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária.

    Festas e romarias


    Divino St.º Cristo (3 de Maio), S. Brás (3 de Fevereiro) e Festa anual de Vila Chã (1 de Janeiro).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capelas do Divino St.º Cristo, Igrejas Paroquiais em Mora e em Vila Chã e pombais típicos da região.

    Gastronomia

    Presunto, enchidos, posta mirandesa, folar da Páscoa, pão-de-ló e doçaria caseira.

    Colectividades

    Associação Cultural e Desportiva de Uva, Associação de Caça e Pesca.

    Outros locais de interesse turístico

    Represas do Rio Angueira, Zona de Caça (coelho, lebre, perdiz e javali) e pesca.

    Artesanato

    Cobertores de algodão e rendas.

    Aldeia anexas

    Mora e Vila Chã.

     

    A 17 Kms da sede de concelho, Uva é uma terra fértil e muito abundante em recursos naturais que facilitam a vida dos primeiros homens. Situa-se a pequena distância do Rio Angueira e é composta pelos lugares de Mora e Vila Chã.

    O saboroso topónimo que dá o nome à freguesia tem uma explicação que pode não ser tão óbvia quanto parece. O Abade Baçal refere: “No Censo da população de Trallos Montes feito em 1530 aparece esta povoação com 28 moradores, a fazer parte do termo da vila de Algoso e escrita Huva. (...) É de admitir, pois, que a grafia Uva venha de huba. E, sendo assim, não será também de aceitar a origem atribuída a Uva actual”.

    Assim, se alguns autores atribuem o seu nome ao facto de haver por aqui muito vinhedo, Sousa Viterbo encontrou outra tese: “na ínfima latinidade Oba, Hova, hoba, Hobana, Aba, Huba, se tomaram pelo casal, ou pequena quinta, constante de casa e campo, em que uma família rústica se mantinha”.

    Uma opinião, que aponta para a forma como foi povoada o seu território nos primeiros tempos da Nacionalidade, a freguesia é referida pela primeira vez nas Inquirições de 1258, ordenadas por D. Afonso III, embora indirectamente. Aparece um indivíduo, daqui natural, a depor sobre uma questão relacionada com a povoação de Angueira. O Cadastro da População do Reino, outro dos poucos documentos que até ao século XVI se referem a Uva, dá à freguesia um total de 28 “moradores”, ou seja, 28 fogos. A este número, deviam corresponder cerca de 70 a 80 habitantes, de acordo com os cálculos que habitualmente se fazem para estas situações e para a época.

    Logicamente, a vida humana nestas terras de Uva é muito anterior à ocorrência destes factos de meados do século XIII. O lugar do Castelouço indica a possível existência, em tempos anteriores, de um reduto castrejo. Embora a simples proximidade de Algoso fosse suficiente para comprovar um povoamento muito precoce. Quanto ao topónimo Vila Chã da Ribeira (foi freguesia independente), está relacionado com uma unidade económica do tempo dos romanos, as célebres “villas”, e com topografia do local, uma chã.

    Durante o reinado de D. Dinis, a freguesia foi objecto de uma questão em relação à sua posse, que pretendida, sem qualquer razão, pela ordem do Hospital. A Coroa iria doá-la durante o século XIV a diversos fidalgos. Os “Bragançãos” eram os nobres territorialmente mais poderosos nestas terras.

    Uva era um curato de apresentação do reitor de Algoso. Tinha um rendimento anual de 32 alqueires de trigo e 12 almudes de vinho. Este pequeno rendimento deve-se, certamente, ao facto de a sua instituição paroquial ter ocorrido muito tardiamente. As “Memórias Paroquiais” de 1758 realizadas em todas as igrejas do País fornecem estas e outras informações curiosas sobre a freguesia: “Está situada em um côncavo e nada descobre. (...) Aqui passa a Ribeira de Ingueira, que cria xardas, escalos, enguias e barbos com abundância”. Menciona ainda a existência de duas pontes de cantaria, “hua em hum lugar que chamam São Joanico e outra no termo de Vale de Algoso”.

    É orago da freguesia St.ª Marinha, muitas vezes chamada St.ª Maria. A ela foi dedicada a Igreja Matriz de Uva. Escolhida como padroeira em muitas paróquias de Portugal e de Espanha, o seu nome é citado em alguns breviários e escritos antigos, e muitos deles falam até do seu corpo tendo padecido o martírio na Galiza, perto de Orense: o seu corpo diz-se, está guardado numa igreja que é chamada Águas Santas.

    Em relação ao património edificado de St.ª Marinha de Uva, dir-se-á que a freguesia é fértil em construção de carácter religioso. O destaque natural vai para a Igreja Paroquial.

    Apesar de não haver grandes informações sobre a data exacta em que foi feita, sabe-se que é de estilo românico. A arte românica, que surgiu em França pela mão dos Monges de Cluny, chegou a Portugal ainda no século XI.

    Ao contrário do que aconteceu com a arquitectura gótica, que passou entre nós, rapidamente a arquitectura românica se manteve nas suas gloriosas tradições. Apesar dos seus mil anos, resistiu vigorosamente até hoje, bem conservada, ainda monumental.

    De forma elucidativa, o românico avançou até ao manuelino. A Igreja Matriz de Uva é disso um bom exemplo, embora tenha sofrido desde a sua origem tantas influências que não permitem tipificar o habitual estilo existente sobretudo no norte do país.

    Actualmente, vivem cerca de 172 pessoas em Uva. Na sua grande maioria, dedicam-se a actividades ligadas ao sector primário. Quase diríamos que não poderia ser de outra forma numa freguesia com este nome. Na agricultura, os principais produtos cultivados são o trigo, o centeio, a aveia, o milho, a batata e o vinho. Na pecuária, o gado, bovino e ovino assumem especial preponderância.

     

  • UF Caçarelhos e Angueira

    Caçarelhos...

    Orago

    S. Pedro.

    População

    219 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, exploração de granitos e pequeno comércio.

    Festas e romarias

    N. Sr.ª da Assunção (15 de Agosto) e St.ª Luzia (2.º fim-de-semana de Setembro).

    Património cultural e edificado

    Igreja matriz, Capelas de S. Bartolomeu (St.º Cristo), de S. José e de Santa Luzia, Cruzeiro, Fontes e Moinhos comunitários.

    Gastronomia

    Posta Mirandesa, fumeiro, folar da Páscoa, súplicas, pão-de-ló, rosquilha e bolos económicos.

    Colectividades

    Associação de Caça e Pesca e Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Caçarelhos.

    Outros locais de interesse turístico

    Zona de Caça, Casa de Caçarelhos (Turismo Rural).

    Artesanato

    Cobertas, tapetes e meias de lã, rendas e bordados.

    Feiras

    Mensal (dia 19).

     

    Muito antiga, esta freguesia de Caçarelhos dista 12 Kms da sede de concelho, a sul de Vimioso. É famosa por ter sido referida por Camilo Castelo Branco num dos seus melhores romances, “A queda de um anjo”.

    Não há grandes informações relativamente aos tempos iniciais do povoamento de Caçarelhos. No entanto, parece que terão sido alguns fidalgos leoneses, no século XII, os encarregados de povoar um território que, a despeito de poder ter recebido antes alguma vida humana, se encontrava à época despovoado.

    Demorariam alguns anos até que o território passasse para a Coroa Portuguesa.

    A antiguidade de Caçarelhos, como paróquia pode ser comprovada através do arrolamento de 1320.

    D. Dinis ordenou um inquérito em todo o país, para que fosse feito um inventário de todas as paróquias existentes. Nele consta, já, a de Caçarelhos, que vem taxada em 20 libras, quantia significativa que demonstra a sua importância. O Abade de Caçarelhos era apresentado pelo Bispo de Miranda do Douro.

    Dava-lhe de rendimento anual a extraordinária quantia de 650 mil réis. Por sua vez, o abade da freguesia apresentava uma paróquia anexa, a de S. Joanico.

    Um dos factos mais importantes da história contemporânea de Caçarelhos é a sua introdução na temática camiliana. Camilo Castelo Branco escreveu “A queda de um Anjo”, deu um nome ao seu personagem principal, Calisto Elói e atribuiu-lhe um local de nascimento: Caçarelhos. A introdução da obra, de 1865, aponta logo algumas das características do famoso nobre: “Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado de Agra de Freimas, nascido em 1815, na aldeia de Caçarelhos, termo de Miranda”. A história passa-se à volta deste homem simples e honesto, ao que parece inspirado numa personagem local, que um dia parte para Lisboa, como deputado, e se transforma num político sem escrúpulos e virado apenas para a alta sociedade e aparências.

    Quanto ao património edificado desta freguesia, um destaque natural para a Igreja Matriz, é datada do final do século XVI ou princípios da centúria seguinte, embora não hajam certezas absolutas sobre o assunto. Situada à entrada da povoação, em lugar elevado e dominador de toda a freguesia, é um templo de uma só nave. A planta é rectangular, muito simples, mas no interior destacam-se pequenos retábulos barrocos, nos quais desponta uma das maiores características deste período: o grande horror ao vazio e consequente exagero decorativo.

    Ainda uma referência para as capelas e um cruzeiro. A ermida é um exemplo das riquezas que se podem encontrar na freguesia. Construída no século XVI, conforme a inscrição “1577” aposta na fachada, é pequena e em granito aparelhado. O cruzeiro, em granito e sustentado em vários degraus, tem o fuste dividido em duas partes, a inferior com decoração escamiforme, a superior estriada. Uma Cruz de Cristo encima o conjunto.

    Em “Viagem a Portugal”, José Saramago, o escritor ribatejano, elegeu esta freguesia como uma das poucas que deveriam merecer uma referência. E diz dela o seguinte “Duas léguas adiante está Caçarelhos. Aqui diz Camilo que nasceu Calisto Elói de Silos e Benavides de Barbuda, morgado de agra de Freimas, herói patego e patusco da Queda de um Anjo, novela de muito riso e alguma melancolia”. Considera o viajante que o dito Camilo não escapa à censura que, acidamente, desferiu contra Francisco Manuel do Nascimento, acusando este de galhofar com a Samardã, com outros tinha chalaceado com as Maçãs de D. Maria, Ranhados ou Cucujães. Juntando Elói a Caçarelhos, tornou Caçarelhos risível, ou será isto defeito do nosso espírito, como se tivéssemos de acreditar ser a culpa das terras e não por maldade do torrão. Fique então dito que esta aldeia não sofre de pior maleita que a distância, aqui nestes cabos de mundo, nem provavelmente tem o seu nome que ver com o que no Minho se diz: “Caçarelhos é fulano tagarela, incapaz de guardar um segredo”. Há-de ter Caçarelhos os seus: ao viajante ninguém lhos contou, quando atravessava o campo da feira, que hoje é dia de vender e comprar gado, estes belos bois cor de mel, olhos que são como que salvadoras bóias de ternura, e os beiços brancos de neve, ruminando em paz e em serenidade, enquanto um fio de baba devagar escorre, tudo isto debaixo de uma floresta de liras, que são as córneas armações, caixas de ressonância naturais do mugido que, uma vez por outra, se ergue do ajuntamento. Certamente há nisto segredos, mas não daqueles que as palavras podem contar. Mais fácil é contar dinheiro: “tantas notas por este boi, leve lá o animal, que vai muito bem servido.”

    Um retrato que nos diz muito da realidade actual da povoação: S. Pedro de Caçarelhos, nos dias de hoje, como nos dias do passado, dedica-se essencialmente à agricultura e pecuária. É uma população que actualmente encontra na vertente económica da sua terra a satisfação mínima das suas necessidades. A feira mensal do dia 19 confere-lhe, ao longo de todo o ano, uma inusitada animação e felicidade para todos os que aqui vivem e, acima de tudo, gostam de aqui viver apesar da lonjura dos centros de decisão.

    Angueira...

    Orago

    S. Cipriano

    População

    116 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura, pecuária e construção civil.

    Festas e romarias

    N. Sr.ª do Rosário (último fim-de-semana de Agosto), e S. Lucas (segundo fim-de-semana de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Capelas de St.º Cristo, S. Sebastião e de S. Miguel (em ruínas), Castros, Fonte de Mergulho e Moinhos de Água.

    Gastronomia

    Posta mirandesa, fumeiro, pão-de-ló, folar da Páscoa e roscas.

    Artesanato

    Rendas e bordados.

    Colectividades

    Grupo Cultural e Recreativo de Angueira.

    Outros locais de interesse público

    Rio Angueira (pesca, barbo, xarda e escalo) e Zona de Caça (lebre, coelho e javali).

     

    Angueira foi uma povoação e freguesia do Bispado e distrito de Bragança, comarca e concelho de Vimioso. Em 1840 pertenceu ao concelho de Outeiro e foi extinto em 1853. Dista 15 Km de Vimioso, sede de concelho, Está situada no fundo de um vale, na margem direita da Ribeira de Angueira.

    Tem como principais actividades produções agrícolas, o trigo, centeio, batatas, vinho, mel, produtos hortícolas e abundantes pastagens.

    Esta freguesia foi desembargada da de S. martinho de Angueira em 1750.

    Outros historiadores dizem que a mesma era anexa a Palaçoulo no período entre 1706 e 1747. Relativamente ao património arquitectónico, a Capela de S. Miguel fica a 1,5 Km do povo, é muito antiga e, segundo a lenda, foi a primeira desta comenda, onde assintiam à missa todas as anexas da Reitoria (Palaçoulo, Prado Gatão e Águas Vivas).

    Angueira foi fundada por um grande general que, quando da expulsão dos Mouros, venceu em três batalhas: na Cruz Branca, Águas Vivas e Ifanes, No termo deste lugar existiam dois castelos obra dos Mouros, de que ainda restam alicerces: um no sítio “Castro do Gago” e outro no “Castro da Cacoia” (ou Coconha). Segundo os Censos 2001, o número de habitantes/residentes em Angueira é de 162. O principal ponto turístico é o Rio Angueira, o qual é procurado pelos amantes da pesca, tendo como principal procura o barbo, o ruivaco (xarda) e o escalo. A caça é também procurada, nomeadamente a lebre, o coelho e o javali.

  • UF Vale de Frades e Avelanoso

    Presidente da junta

    José António Ramos Fernandes

    Vale de Frades...

    Orago

    St.º André.

    População

    160 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, indústria de panificação, construção civil e pequeno comércio.

    Festas e romarias

    N. Sr.ª da Assunção e N. Sr.ª de Fátima (14 e 15 de Agosto), S. Vicente (22 de Janeiro), S. Sebastião (1.ª semana de Agosto) e S. João (24 de Junho e última semana de Agosto).

    Património cultural e edificado

    Igreja Paroquial e igrejas em Serapicos e S. Joanico, Fonte, Cruzeiro e Ponte Românica.

    Gastronomia

    Posta mirandesa, enchidos, bolos económicos, pão-de-ló e folar da Páscoa.

    Colectividades

    Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Vale de Frades e Associação de Caça e Pesca.

    Outros locais de interesse turístico

    Os mencionados em património cultural e margens do Rio Angueira (zona de lazer e pesca) e zona de caça (coelho, lebre, perdiz, codorniz e javali).

    Artesanato

    Trabalhos em cobre, cestaria, ferraria, albardaria, rendas e bordados.

    Aldeia anexas

    S. Joanico e Serapicos.


    A 8 Kms de Vimioso, Vale de Frades é constituída pelos lugares de Serapicos e S. Joanico. Ambos muito importantes, em tempos na história do concelho, pois foram freguesias independentes. São de realçar o nome deste último lugar, típica reminiscência da língua mirandesa.

    Vale de frades é uma das freguesias referida no célebre documento de 1187 entre o mosteiro de Castro de Avelãs e a Coroa. Neste documento, o senhorio da povoação passava para a posse daquele convento. O elemento Frades do topónimo deve estar relacionado com esta realidade histórica da freguesia.

    Segundo Inquirições de D. Afonso III, de 1258, a freguesia foi povoada pelas freiras de Alcanices, cujo mosteiro pertencia à Ordem do Templo. O reitor de Vimioso apresentava o cura, que tinha de rendimento anual 6000 réis de côngrua e o pé de altar.

    Em 1530, tinha Vale de Frades, denominada já, desta forma, desde o século XII, 17 moradores, que aqui devemos entender como fogos. O número de habitantes aproximar-se-ia, segundo os cálculos, universalmente aceites, dos 50. Naquele ano, pertencia já ao termo de Vimioso.

    A Igreja Matriz é um bem patrimonial a conservar e a apreciar em Vale de Frades. O actual templo substitui um outro que terá existido no mesmo local durante a Idade Média e do qual não resta qualquer informação.

    A primeira informação que temos da actual matriz data de 1764. Nesse mesmo ano, o pároco de Vale de Frades informa a sua diocese que a capela-mor do templo se encontra totalmente arruinada. Este documento parece comprovar a grande antiguidade da igreja, porque, nessa altura, já deveria ter um bom par de anos, a julgar pelo estado em que se encontrava.

    No ano de 1767, os juízes do povo e da igreja informam que antes de fazer o tecto da capela-mor era necessário fazer a parede do lado da Epístola e segurar o arco triunfal, sem o qual não se poderia fazer o tecto porque o arco não estava seguro. Por isso determinaram, nesse mesmo ano mandar fazer o arco de cantaria.

    Foi neste ano de 1767 que o Doutor Provisor e Vigário Geral das Dioceses, depois de ouvir durante três anos as queixas dos juizes do povo e do pároco de Vale de Frades, ordena que se fizesse o arco de cantaria e toda a obra da capela-mor, podendo fazer gasto 90000 réis”.

    Desenvolvimentos curiosos que servem para demonstrar a grande preocupação que a igreja matriz mereceu sempre das pessoas da terra, que nunca descansaram até que, aquilo que era seu, fosse devidamente reparado e se mantivesse digno para o culto em honra de St.º André e das outras invocações da terra.

    É um bom exemplo de uma só nave, com solo de cantaria, lavrada e tecto de madeira pintada em forma de abóbada, e um supedâneo de dois degraus, sobre o qual assenta um excelente retábulo em talha rocaille setecentista. Todo o interior da igreja é tipicamente português, com as paredes de alvenaria caiadas a branco. Ainda, na capela-mor, destaque para um janelão que a ilumina francamente, tal como ao seu retábulo. A sacristia é muito simples, rectangular, está situada ao lado do evangelho.

    A nave da igreja é separada da capela-mor por um arco triunfal em forma de meio ponto. Desnivelada em relação àquela, a nave é um espaço rectangular, muito simples e sem os habituais arcos diafragmas que costumam dividir este tipo de áreas. É muito iluminado graças a um janelão que se encontra na parede do lado da Epístola. Ainda deste lado, há uma porta de entrada com jambas e dintel rectos. Junto do arco triunfal, existem dois retábulos relativamente pobres em talha.

    Quanto ao prospecto exterior da igreja, dir-se-á que é muito harmonioso, à semelhança da maior parte dos templos deste concelho de Vimioso. Realçam-se, na torre, fachadas, os dois fortes cunhais apilastrados que a sustentam e a cornija do campanário. Aqui se encontram alguns elementos que parecem nitidamente ser de cunho barroco popular.

    Em termos económicos, a agricultura e a pecuária são as principais bases de sustentação na actividade da população de Vale de Frades. Hoje como no passado tem sido sempre assim. No cultivo da terra, é o centeio, o trigo, a aveia e a batata que detêm a maior importância. No pastoreio dos animais, desponta o gado bovino, caprino e ovino. Em relação ao sector secundário, resume-se à panificação, alguma construção civil e trabalhos em cobre.

    Avelanoso...

    Orago

    S. Pedro.

    População

    148 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura, pecuária e pequeno comércio.

    Festas e romarias

    S. Barnabé (Agosto), N. Sr.ª da Saúde (Agosto) e Corpo de Deus (11 de Junho).

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz, Cruzeiro e Moinho de Água.

    Gastronomia

    Fumeiro e Posta à Mirandesa.

    Colectividades

    Grupo Cultural, Recreativo e Desportivo de Avelanoso e Associação de Caça e Pesca de Avelanoso.

    Outros locais de interesse turístico

    Parque de Merendas e Zona de Caça (coelho, lebre, perdiz, javali e corso).

    Artesanato

    Rendas e bordados.

     

    Povoação fronteiriça com Espanha, Avelanoso dista 14 Kms da sede de concelho.

    Pouco se sabe do povoamento desta freguesia antes do século XII, dado que foi nesta época que começaram a surgir referências sobre a localidade da documentação escrita. No entanto, tanto a arqueologia como a toponímia, levam-nos a crer que existia vida humana em Avelanoso já nos tempos pré-históricos.

    Integrada, desde aí, na terra de Miranda, que ascende a épocas romano-germânicas, embora tivesse outra denominação.
    Nos primeiros documentos em que a freguesia é citada, aparecem as formas populares Avelanso, Avelaoso e Avelaõsa. Mais tarde, iriam surgir formas mais eruditas, como Avelana, que iria corromper-se em Avelanoso.

    Refere a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, no apêndice sobre Avelanoso, em relação ao topónimo principal desta freguesia: “O topónimo, estranho é à simples vista, ao idioma português, entra no número dos do velho mirandês falado, pela conservação do n - etomológico ou, a bem dizer, do próprio vocábulo latino Avellanosu, de que provém. Em português, ter-se-ia Avelanoso. Nas Inquirições de 1258 aparece sempre Avelanoso, o que pode levar a crer-se, à primeira vista, em tradução efectuada pelo notário das mesmas. Mas essa tradução, a ter de fazer-se, seria antes para o latim, Ave(l)anoso, o que faria aparecer a própria forma mirandesa, actual ainda”.

    De resto, as influências que a língiua mirandesa teve no nome desta freguesia e, que é explicado de forma exemplar pela “Grande Enciclopédia”, não se resumiram ao topónimo Avelanoso. Como refere o mesmo texto, “vocábulos e topónimos portugueses e mirandeses se entremisturam nesta curiosa região linguística”. A proximidade de Miranda do Douro explica, estamos em crer, todo este fenómeno.

    A primeira referência escrita sobre Avelanoso ocorre nas sobreditas Inquirições de D. Afonso III (1258). Através desse documento, podemos ver que o local tinha sido, em tempos, um “villar” velho (termo originário dos romanos e que significava uma unidade de exploração económica), despovoado durante as Invasões Muçulmanas e encontrado ermo aquando da Fundação da Nacionalidade. O povoamento da freguesia terá ocorrido nessa altura, por próceres bragançanos e, mais tarde, por fidalgos leoneses, já que, num período intermédio o território voltou a ser despovoado por razões desconhecidas.

    Durante o reinado de D. Sancho II, os tais próceres bragançanos (filii Nuno Beiro (D. Nuno Veiro, filho do famoso D. Pedro Fernandes “de Bragança”) populaverunt villam de Aceloso in Miranda”, diz o texto das Inquirições “ doaram a povoação, por aí pouco desenvolvida, ao mosteiro de Moreirola, que era leonês. Proprietários de alguns terrenos em Avelanoso, eram também os frades do Mosteiro de Alcanozes, que auxiliaram na tarefa de repovoamento do local: “Fleires de Alcanizes populaverunt villam Avelaoso in Miranda in uno villar vetero”.

    A Idade Média em Avelanoso foi, de resto, rica em acontecimentos relacionados com o seu povoamento. Em 1397, deu-se uma última fuga das populações locais, para terras mais seguras, dado que a localização da freguesia, junto à raia, não favorecia as suas condições de segurança. O novo repovoamento de Avelanoso ocorreu a partir de 1458, muitos anos depois da assinatura do Tratado de Paz entre Portugal e Castela.

    Em termos paroquiais, Avelanoso foi instituida numa data que não se conhece ainda com exactidão, de qualquer modo, sempre numa altura posterior ao século XIV. Por volta de 1600, era uma abadia do Padroado Real, recebendo o abade da freguesia a quantia de duzentos mil reis, significava no contexto das Terras de Vimioso. Em termos administrativos, pertenceu ao concelho de Outeiro, até à data da sua extinção, 22 de Julho de 1853. Passou posteriormente para o de Vimioso.

    A igreja paroquial de Avelanoso é um bem patrimonial que não deve ser desprezado. Pelo contrário, merece uma visita que deverá ser feita com muita atenção. Substituida por uma outra que existiu em data incerta no mesmo local, sofreu grandes obras de restauro, que em muito lhe modificaram a traça primitiva. Uma data que se encontra entre o púlpito e o retábulo do altar-mor, “1739”, parece indicar exactamente o ano em que aquelas obras foram concluídas. A população da freguesia sustentou, em grande parte, estas obras, através de doações vultuosas e com o próprio trabalho.

    A capela-mor foi um dos elementos construídosno século XVIII. Com solo de cantaria lavrada, e tecto de madeira pintada, apresenta um belo retábulorocaille tardio que só terá sido ali colocado na centúria seguinte. Alguns elementos de grande interesse, por serem barrocos, odem ainda ser vistos na sacristia. Quanto à nave da igreja, é separada da capela-mor por um arco triunfal em forma de meio ponto. Do lado do Evangelho, pode ver-se um retábulo de talha barroca que invoca a figura de St.º António. O retábulo de N. Sr.ª da Saúde, próximo daquele, é também de grande interesse artístico.

  • Vilar Sêco...

    Presidente da junta

    Aníbal Augusto João Delgado

    Orago

    S. Tiago.

    População

    181 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, serração, carpintaria, serralharia civil e comércio.

    Festas e romarias

    S. Bartolomeu (24 de Agosto) e N. Sr.ª da Visitação (2.ª semana de Julho).

    Património cultural e edificado

    Igreja Paroquial, Fontes e Capela da Santíssima Trindade.

    Gastronomia

    Posta mirandesa e borrego assado.

    Colectividades

    Associação de Caça de Vilar Sêco e Associação Cultural e Recreativa de Vilar Sêco.

    Outros locais de interesse turístico

    Zona de Lazer, Represa da ribeira de Viral Sêco e Zona de Caça (perdiz, coelho, lebre e javali) e pesca.

    Artesanato

    Escrinhos (cestos de palha e silvas), fiação e rendas.

     

    Evolução Etimológica: Villa Sicca, Villar Sequo, Villar Seco, para, finalmente, dar origem à forma actual.

    Esta freguesia do concelho de Vimioso, pertenceu à Comarca de Mogadouro, ao extinto concelho de Algoso e à comarca de Miranda do Douro.

    A designação de “Vilar” terá correspondido a povoação antiga despovoada e repovoada mais tarde.

    Em 1258, segundo as Inquirições do rei D. Afonso III, Vilar Sêco pertencia ao Rei, depois ao Arcebispo de Braga, e mais tarde ao Mosteiro de Castro Avelãs.
    A povoação teve dois bairros distintos, o de Cima e o de Baixo.

    O povo fixou-se primeiramente no de baixo que era deficiente em água, só mais tarde povoou o Bairro de Cima.

    O nome de “Seco”, derivou dessa falta de água no Bairro de Baixo. O facto da existência de várias fontes antigas, vem atestar o facto de, noutros tempos, Vilar Sêco, debater-se com a falta de água.

    Em 1799, D. Isabel Faria administrava o morgadio de Vilar Seco. Em 1812 administrava-o Lourenço de Macedo e Vasconcelos, morgado de Quintela, casado com D. Maria Rosa de Macedo e Faria, filha de João de Macedo de Algoso e de D. Francisca Xavier de Figueiredo, da Covilhã.

    Em 1860, o morgadio pertencia a Carlos de macedo e Vasconcelos, capitão de melícias que o vendeu depois de arruinado e incendiado.

    Vilar Sêco era governado em tempos por um juiz “pedâneo” com homens do Acórdão Polo pela Câmara e “juiz de fora” de Miranda a quem estava subordinado.

    O pároco teve título de abade e dá-se uma enorme confusão em documentos por quem era apresentado, se pelo Bispo de Miranda, pelo Comendador de Algoso ou pelo Abade de S. Pedro da Silva.

    Segundo Carvalho da Costa em “cartografia Portuguesa, 1706, Tomo I, seria pela Abadia de “Mitra”, ou seja, Bispo de Miranda e também pelo Comendador de Algoso.

    A confusão cresce porque a Abadia pertenceu à cabeça de São Pedro da Silva, Miranda do Douro e Algoso.

    A demarcação do termo de Vilar Sêco e confrontações encontra-se no “Tombo dos Bens da Comenda de Algoso”.

    Nos anos de 1846 fabricavam telha no sitio chamado “Pereiro”, ao qual, hoje, lhe chamam de “terras do Forno”.

    O uso dos escrinhos no dia a dia fez com que, nos últimos anos, algumas pessoas desta freguesia se empenhassem no seu fabrico, activando assim um “uso e costume” desta população “vivideira”.

  • Vimioso

    Presidente da junta

    José Manuel Alves Ventura

    Orago

    S. Vicente

    População

    1285 habitantes

    Actividade económica

    Agricultura e pecuária, construção civil, hotelaria comércio e serviços.

    Festas e romarias

    Feira de S. Lourenço

    Feriado municipal

    10 agosto.

    Feiras quinzenais

    dias 10 e 25.

    Património cultural e edificado

    Igreja Matriz Vimioso, Capelas, Pelourinho de Vimioso, Ponte e Fontes Romanas, Casa Tradicional e Casa com Brasão, Atalaia de Vimioso.

    Gastronomia

    Botelo com Cascas, Posta à Mirandesa, Caldeirada de Cabrito e Cordeiro, fumeiro regional, Javali, lebre, coelho, perdiz.

    Colectividades

    Águia Futebol Clube de Vimioso; Associação de Caça e Pesca de Vimioso; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso; Banda Filarmónica; Associação Mini - Banda de Vimioso; Moto Club de Vimioso - " Furões"

    Outros locais de interesse turístico

    Casa da Cultura de Vimioso, Parque Municipal de Vimioso, Piscinas Municipais e Pavilhão Multiusos em Vimioso.

    Artesanato

    Cestaria, tecelagem, cobres, colchas, curtumes, cantarias (granito) e mármores.

    Foral

    1516.

     

    Vimioso esteve som jurisdição de Miranda do Douro até ao reinado de D. Manuel, do qual obteve foral em 1516, com a categoria de vila.

    A Leste de Vimioso, no local denominado Atalaia, supõe-se ter sido o sítio original de um Castro Luso-romano, mas de raiz pré-histórica.

    A própria fortificação terá sido reforçada e sofrido constantes modificações, em consequência das lutas entre Cristãos e Mouros.

    Esta vila está ligada ao título de Conde: o primeiro título de Conde de Vimioso (D. Francisco de Portugal), conferido por D. João III, em 1534.

    Vimioso foi vítima da dureza das guerras, inúmeras vezes.

    Em 1658, sofreu um ataque de forças espanholas vindas de Alcañices, em 1672, o exército franco-espanhol dirigiu-se a Miranda do Douro, arrasando a fortaleza.

    Por toda esta vila e concelho ainda sobrevivem marcas e testemunhos de uma história!

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